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16 de Outubro de 2026
Uma pesquisa desenvolvida pela equipe de epidemiologia do Hospital Municipal Evandro Freire (HMEF), unidade da Prefeitura do Rio de Janeiro gerenciada pelo CEJAM, em parceira com o profissionais da área de Sustentabilidade do CEJAM em ganhou destaque em um dos principais eventos internacionais dedicados à discussão sobre saúde pública.
A pesquisadora Mônica Testa Morangueira, que atuava como Coordenadora do Núcleo Interno de Gestão (NIG) do CEJAM e atualmente é Assessora da Subsecretaria Geral da Secretaria Municipal de Saúde do Rio, representou a instituição, no dia 8 de setembro, durante o 18th World Congress on Public Health (WCPH 2026), realizado na Cidade do Cabo, África do Sul. O congresso é um dos mais relevantes encontros globais da área e reuniu lideranças, pesquisadores e profissionais do setor sob o tema "Saúde sem Fronteiras: Equidade, Inclusão e Sustentabilidade".
Intitulado “O impacto das vulnerabilidades socioambientais e climáticas no perfil de atendimento ao paciente em um pronto-socorro no Rio de Janeiro, Brasil”, o trabalho investigou como as condições socioambientais influenciam o perfil dos atendimentos hospitalares, em uma análise de aproximadamente 132,8 mil atendimentos de emergência realizados entre janeiro de 2024 e dezembro de 2025 no HMEF.
Para isso, os pesquisadores cruzaram dados do Centro de Operações do Rio (COR) com notificações epidemiológicas de agravos associados a fatores ambientais e meteorológicos.
Os resultados apontaram associações entre períodos de chuvas intensas e o aumento de casos de leptospirose em comunidades vulneráveis, entre alertas de calor extremo e a concentração de casos de dengue, além de um número expressivo de internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em períodos de maior variabilidade do clima. Também foram observados aspectos relacionados à vulnerabilidade social e ao racismo ambiental em áreas periféricas, além de possíveis conexões entre as condições de vida nos territórios, a saúde mental e os registros de violência autoinfligida.
A apresentação integrou a trilha “Climate Change, Environmental, One Health and Urban Health” e trouxe à tona a importância de uma abordagem integrada para enfrentar os desafios associados às mudanças climáticas, como destaca Mônica:
“Falar de sustentabilidade e do impacto das questões climáticas na saúde não foi apenas um detalhe do tema principal do congresso, mas um dos tópicos centrais dos debates. As mudanças climáticas exigem ações coordenadas e nos levam a refletir sobre a perspectiva de uma Saúde Única global (One Health). Afinal, se os problemas estão interligados, por que nossas respostas ainda são fragmentadas?”, destaca.
A apresentação também abriu espaço para a troca de experiências com profissionais da Vigilância em Saúde da Bahia e com equipes de Minas Gerais e São Paulo, que demonstraram interesse na metodologia utilizada e em suas possibilidades de aplicação em outros territórios. A receptividade reforçou o potencial da iniciativa para aproximar a produção científica das necessidades concretas dos serviços de saúde.
“Um dos principais pontos altos foi a possibilidade de dialogar com atores da saúde pública do nosso país e mostrar que o CEJAM, por meio do Instituto Ambiental, vem incorporando essa temática às suas unidades, com capacidade de análise epidemiológica para apoiar a tomada de decisões. O objetivo é que essas análises sejam um ponto de partida para avançarmos e, futuramente, estarmos preparados para agir em tempo real no cuidado, e não apenas realizar análises retrospectivas”, ressalta Mônica.
A pesquisa amplia o conhecimento sobre a relação entre as mudanças climáticas e a demanda por atendimentos de urgência e emergência. Os resultados reforçam a importância de articular informações epidemiológicas, assistenciais e socioambientais para aprimorar o planejamento dos serviços de saúde e prepará-los para responder aos impactos desses fenômenos.
A participação da produção científica no WCPH 2026 representa uma oportunidade de compartilhar internacionalmente conhecimentos produzidos a partir da realidade do SUS e aproximar a pesquisa científica dos desafios encontrados no cotidiano dos serviços de saúde.
Além de Mônica Morangueira, que coordenou o Núcleo Interno de Gestão (NIG) no Evandro Freire, o trabalho também contou com a autoria de Murilo Viana Castro Souza (Especialista Ambiental do CEJAM), Everton Turmilheiro Rafael (Gerente de Sustentabilidade do CEJAM), Felipe Rufino Carlos (Coordenador do Núcleo Interno de Gestão) , Bruna de Melo Lisboa (Sanitarista), Tiago Velloso de Carvalho (Diretor do HMEF), Flavio Monteiro de Souza (Diretor Técnico do HMEF) e Francisco José Santos Maia (Coordenador do Centro de Estudos do HMEF), englobando profissionais do Departamento Executivo e da Comissão de Ensino e Pesquisa do HMEF, além do setor de Responsabilidade Ambiental e Climática do CEJAM.
Fonte: Comunicação, Marketing e Relacionamento
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