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16 de Abril de 2026
Foto: Freepik
Pequenas mudanças no comportamento e na rotina de pessoas idosas despontam como os primeiros indícios de perda de autonomia. Variações no ritmo das atividades diárias, um maior cansaço para tarefas simples, esquecimentos frequentes ou a diminuição da participação social costumam surgir de forma gradual e, muitas vezes, são atribuídas ao envelhecimento natural.
No entanto, especialistas alertam que esses sinais, aparentemente inofensivos, podem sinalizar o início de um quadro de fragilidade física ou cognitiva. Dificuldades progressivas em atividades antes triviais, como organizar a casa, preparar refeições ou cuidar da própria higiene, associadas a oscilações na disposição, iniciativa ou humor, demandam atenção imediata e apontam para a necessidade de avaliação profissional.
Segundo Dr. Raul Queiroz Mota de Sousa, médico da Família e Comunidade, da UBS Jardim Valquíria, unidade administrada pelo CEJAM, em parceria com a Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo (SMS-SP), o declínio da autonomia raramente acontece de forma repentina.
“Na maioria dos casos, esse processo ocorre de forma lenta e progressiva. O que costuma aparecer primeiro são pequenas variações no ritmo do idoso: ele passa a caminhar mais devagar, se cansa com mais facilidade ou começa a evitar atividades que antes fazia naturalmente. Quando percebidas no início, há mais oportunidade de intervir e preservar a funcionalidade”, explica.
Outro sinal silencioso é o isolamento social, percebido pela redução do convívio com familiares, amigos ou grupos comunitários. Esse afastamento pode estar relacionado a limitações físicas, mas também a questões emocionais ou cognitivas.
“O isolamento muitas vezes antecede sinais mais claros de declínio. Pode surgir por medo de quedas, insegurança para realizar tarefas ou até por alterações de memória e humor. Por isso, quando o idoso começa a se afastar das atividades sociais, é importante que a família observe com atenção e busque orientação”, acrescenta o especialista.
Nas unidades de saúde gerenciadas pelo CEJAM, a identificação precoce dessas transformações é um pilar fundamental da linha de cuidado voltada à saúde da pessoa idosa. A partir dos 60 anos, todos os pacientes são submetidos à Avaliação Multidimensional da Pessoa Idosa (AMPI), uma ferramenta robusta que rastreia aspectos físicos, cognitivos e sociais para antecipar e identificar vulnerabilidades.
De acordo com o médico, é esse acompanhamento contínuo e personalizado que permite uma compreensão aprofundada das necessidades de cada paciente. Perceber mudanças que fogem do padrão habitual e buscar prontamente orientação de profissionais de saúde são ações que podem transformar o prognóstico, garantindo um diagnóstico mais precoce e a adoção de estratégias eficazes para preservar a autonomia e a qualidade de vida ao longo de todo o envelhecimento.
“O monitoramento longitudinal possibilita observar mudanças sutis e agir antes que a perda de autonomia se consolide. A partir da avaliação, conseguimos direcionar intervenções proporcionais ao grau de vulnerabilidade, fortalecendo a funcionalidade e a participação social do idoso”, finaliza.
Fonte: Comunicação, Marketing e Relacionamento
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