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11 de Fevereiro de 2026
Foto: Freepik
No Brasil, 62% dos bebês são colocados ao seio ainda na primeira hora de vida, segundo dados do Ministério da Saúde e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Esse resultado está ligado ao contato pele a pele, prática reconhecida pelo SUS e incorporada a políticas públicas como a Rede Cegonha, por ajudar a reduzir complicações, estimular a amamentação e fortalecer o vínculo entre quem amamenta e o bebê.
O contato acontece quando o recém-nascido é colocado diretamente sobre o peito ou abdômen de quem acabou de dar à luz, desde que ambos estejam bem clinicamente. Apesar de simples, esse cuidado oferece estímulos importantes, como calor, cheiro, toque, voz e batimentos cardíacos.
Para a Dra. Marisa Salgado, médica neonatologista do Hospital Geral de Itapevi (HGI), unidade da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) e gerenciada pelo CEJAM, “esse primeiro encontro envolve diferentes estímulos sensoriais e deve ser protegido pela equipe de saúde, sempre respeitando os desejos da família, além de aspectos culturais e religiosos”.
Do ponto de vista do corpo, a estratégia ajuda a criança a se adaptar melhor à respiração, à circulação e à produção de hormônios. Quando combinado ao corte do cordão no tempo adequado, contribui para maior estabilidade logo após o nascimento. Também favorece a proteção natural da pele e o sistema imunológico, ao permitir o contato com bactérias benéficas da pessoa que amamenta.
Outro benefício importante é o controle da temperatura. A hipotermia pode aumentar o gasto de energia e oxigênio. “O corpo de quem amamenta ajuda a manter o bebê aquecido naturalmente. Assim, ele gasta menos energia e fica mais estável”, explica a neonatologista.
Quando há algum tipo de complicação no parto, as prioridades mudam. As manobras de reanimação não devem ser adiadas. “Existe o chamado Minuto de Ouro, em que o recém-nascido precisa começar a respirar e garantir oxigenação adequada ao cérebro. Nessas situações, o atendimento imediato é essencial”, reforça Dra. Marisa.
Apesar de ainda ser mais associado ao parto normal, o contato pele a pele pode ser realizado em qualquer tipo de parto, inclusive cesáreas, desde que a pessoa que deu à luz e o bebê estejam estáveis. Fora da sala de parto, a prática também pode ser incentivada durante a internação e em momentos potencialmente estressantes, como na coleta do teste do pezinho.
O Método Canguru, usado com prematuros, é um dos exemplos mais conhecidos dessa abordagem.
Contato pele a pele como prática institucional no Hospital Geral de Itapevi
No HGI, o contato pele a pele é uma prática institucional presente em diferentes setores, sustentada por protocolos alinhados ao Manual da Iniciativa Hospital Amigo da Criança (IHAC).
Segundo Maria Arleide Ibiapino, supervisora de Enfermagem da unidade, a organização dos processos foi essencial para garantir a continuidade e a segurança da prática. “Estruturamos protocolos claros, respeitando as especificidades de cada setor e assegurando o cuidado ao binômio pessoa que deu à luz e bebê”, afirma.
No Centro de Parto Normal, esse contato começa logo após o nascimento e é mantido, sempre que possível, por pelo menos uma hora, tanto em partos vaginais quanto em cesarianas. Em centros cirúrgicos, protocolos específicos viabilizam a prática de forma segura, com atuação integrada das equipes.
A abordagem também se estende à UTI Neonatal, por meio do Método Canguru e da presença da família no cuidado. “Mesmo em contextos de alta complexidade, o vínculo familiar é preservado”, destaca Maria.
Com isso, são observados impactos positivos na experiência hospitalar e na qualidade da assistência. Sem exigir investimentos adicionais, a prática se apoia na capacitação dos times e no monitoramento por indicadores assistenciais.
No hospital, o contato pele a pele reforça que cuidar vai além do procedimento técnico: é acolher e incluir a família desde os primeiros minutos de vida.
Fonte: Comunicação, Marketing e Relacionamento
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